Artistas defendem a perspectiva pública e diversa da educação

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Marcilio Lana / Grupos artísticos argentinos apresentam performances que expressam engajamento social durante a abertura da CRES 2018, em Córdoba.

A Orquestra de Instrumentos Indígenas e Novas Tecnologias da Universidade Nacional de Tres de Febrero (Buenos Aires, Argentina), Tamboreras Ensamble e Vivi Pozzebón (Córdoba, Argentina) e Charo Bogarín Trío (Buenos Aires, Argentina) fizeram parte da cerimônia de abertura da Conferência Regional de Educação Superior para a América Latina e Caribe (CRES) 2018, realizada nessa segunda-feira (11/06).

Os três espetáculos, que sucederam a mesa inaugural do evento, dialogam com os debates que vão ser realizados durante a CRES 2018 em torno da diversidade e da necessidade do reconhecimento. Diversas e distintas, as apresentações foram da música tradicional à experimentação.

De acordo com o sociólogo Boaventura de Sousa e Santos, catedrático da Universidade de Coimbra e diretor do Centro de Estudos Sociais, as exibições são expressões vivas do conhecimento, do conhecimento gerado por diferentes atores sociais e que precisa estar em diálogo com o que é produzido pelas universidades. Boaventura, que ministrou a conferência de abertura da CRES 2018 logo após as três exibições, destacou que o momento nos desafia a ter uma nova perspectiva epistemológica da extensão universitária.

“Não se trata de levar a universidade para fora de seus muros, mas de trazer o conhecimento popular para dentro da academia. É essa extensão que vai renovar a universidade”, destacou.

Organizada em conjunto pelo Instituto Internacional da UNESCO para a Educação Superior da América Latina e o Caribe (UNESCO-IESALC), pela Universidade de Córdoba, pelo Conselho Interuniversitário Nacional (CIN) e pela Secretaria de Políticas Universitárias (SPU) do Ministério da Educação Argentina, a CRES 2018 é uma das reuniões preparatórias da Conferência Mundial sobre o Ensino Superior, que ocorrerá em Paris, em 2019, e marca o centenário da Reforma Universitária de 1918, em defesa da autonomia e democratização da universidade pública. A conferência debate o atual cenário da educação superior na América Latina e Caribe e as estratégias para a próxima década com vistas aos objetivos do desenvolvimento sustentável e definições da agenda Educação 2030 da UNESCO. A CRES está em sua terceira edição. As duas primeiras aconteceram em Cuba (1996) e Cartagena (2008).

Diálogo entre o tradicional e o contemporâneo marca a apresentação da Orquestra de Instrumentos Indígenas e Novas Tecnologias. Grupo orquestral faz performance, resultado de um trabalho de investigação realizado dentro do curso de Música Nativa (Autóctone), Clássica e Popular da América da Universidade Nacional de Tres de Febrero. A experiência de caráter acadêmica propõe ao estudante mergulhar nos diversos gêneros musicais que nosso continente gerou, bem como nos instrumentos nativos das culturas milenares que o habitaram.

O grupo de musicistas é dirigido por Vivi Pozzebón. Ele faz do palco um espaço ritual dos ritmos afrolatinos, com a força da percussão e a incorporação da voz como faixas. De acordo com a própria Vivi Pozzebón são “mulheres que lutam por seus direitos e que defendem a educação gratuita e de qualidade para todos”.

"La Charo", como é comumente conhecido, é o novo projeto solo do artista Charo Bogarín, que escolheu virar os olhos e a voz para os idiomas e sons da América Latina. Disposta a expandir sua música pelo continente, trazendo consigo uma vasta jornada musical ao lado dos povos originários do norte da Argentina, a artista mergulha no cenário musical latino-americano. Charo defendeu uma educação plural, igualitária e que defenda o livre pensamento.

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